terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Lágrimas do coração – Marcos de Conto



Meu corpo, minha alma perecem no além;
Se dizem que vivo num harém,
 Desisto ou ouço meu coração?
Sou teu tolo, de má índole
Que não vê além dos olhos
Sou apenas fogo, sem sonhos
Aqueles que te salvariam

Teme os erros
Aqueles que ensinariam
A viver uma vida sem ilusões

Arranco meu dedo
Com raiva
Jogo na parede
Que se exploda
O mundo que fenece da sede

Temo o resultado das faíscas que vejo...
Tomam conta do meu quarto
Vermelho, dourado, as cores do desejo
Janela fechada, plenitude noturna, sinto um punhal me penetrando
Olho pra luz...
Reluz e induz a um suicídio...
Cravado na cruz
Não sinto mais meus braços
Teus abraços em devaneios...
Meus sonhos no pecado...

Meu corpo, minha alma perecem no além;
Está quente...
Sinto meu corpo queimando...
Minha alma agonizando...
Sufoco na fumaça de um cigarro...
Num cheiro bizarro
Sinto-me nu, meus trapos queimados latejam minha pele torturada
Minha cabeça incendeia em deduções obscenas...

Nada vejo!
Pupila queimada, roupa extirpada, mente abusada...
Ignoro as cenas
Grito!
Socorro!!!
Irrito!
Até o demônio com berros de coro.

Mais nada no ar...
Sinto meu corpo voar
E pousar
Aqui é bom...
Relaxante...
Torturante,
Odeio o silêncio


Melhor amiga...
Inimiga
Morte gerida
Esquecida
Sorte fingida
Enlouquecida
Norte perdido
Enfurecido
Porte ferido
Deprimido

Arranco meu dedo
Com raiva
Jogo na parede
Que se exploda
Temo o resultado das faíscas que vejo...
Tomam conta do meu quarto
Vermelho, dourado, as cores do desejo
Caio numa rede
De psicopatas
Arranco teu segredo
Veneno, embebendo minha face
Escorpião, querendo minha carne
Meu antídoto... É teu ar
Que me faz respirar
Enxergar
Odor ou perfume, meu lume
Meu guia,
Que irradia
Um olhar vago
Um sorriso falso
Um amor cáustico
Cataclísmico
Inebria
Vicia
Dói
Machuca pra valer
Um olhar de desprezo
Que ignora no menosprezo
Uma eterna paixão.

Aos poucos as cores se acalmam
Já vejo tons de azuis
Desço da cruz
Ainda vivo
Pouco inspiro
Pelo que expiro
Estou calmo...
Sem mais medos...
O fogo cessa...
Já vejo a lua pela janela do quarto
Radiante
Invejável brilho
Ebúrneo
A peça
O fardo
Dolo...
Vejo um raio prateado
Esgueirando as paredes
E atingindo meus olhos...
Esfaqueado
Caio no chão...
Teu corpo forma-se na áurea flamejante
Eclosão
Meu anel cai no meu peito
Num despeito
E mais nada vejo...

Apenas ouço...
Lamúrias,
Alegrias,
Lamentos de um coração depredado?